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16 de fevereiro de 2009

#20 - O nosso «amigo» Valle...


"POLLITOS BIEN"

Comezaremos invocando a Vale-Inclán.

Mestre: chamámoslle mestre por ser vostede "mestre" da Xuventude imbécil de Galicia. Noso non; que, afortunadamente, sabemos comparar a súa modernidade coa cobardía do débil que tan só pode vivir facendo claudicante concesión ó forte.

Non tería o seu nome acollida nestas liñas se quixésemos tan só chamarlle aquilo. Pero ten que ser ó falar dese fato de cabezas focas, nenos "foulard e de rubí", engaiolados polo innegábel prestixio da prosa e da ridícula mentira dunha epopeia aventureira que vostedes, unha e outra vez, falsifican.

Sabemos que con intermedios himnarios ó Gran Pontífice da Baldeireza en traxe de festa (Este gran don Ramón...) entra a estrago pola fala meseteira, con grande desprestixio dela por certo. Tamén sabemos que adoecen de imbecilidade inxénita ou contaxiada, e que a vostede lle debemos o telos levado para "alá". Isto último é cousa que nunca ben lle agradeceremos.

Agora, o que quereríamos conseguir da súa incensada personalidade sería que se intensificase a campaña castelanizante porque nos arrepían o pensamento de que eles se cresen chamados por estas nosas palabras de mocidade e chegase algún a desertar de la "lengua de Cervantes" para vir a baldeirar na nosa Fala as producións do seu serrín encefálico. Isto estaría moi mal. Mal para o castelán, idioma oficial da cursilería, que, polo mesmo ten dereito a aquelas cousas, e mal para o galego, digno de moita mellor sorte.

E a vós, pobriños mamaleites literarios, desexámosvos cordialmente que calquer día vos publiquen un verso na derradeira folla dunha desas indixentes revistas madrileñas, doada palestra dos vosos esforzos, que é o máximo desideratum voso.

Madrid precísavos para personaxes da súa opereta.


Extraído do manifesto Máis Alá assinado em 1922 por Manoel-Antonio e Álvaro Cebreiro.

19 de dezembro de 2008

#12 - In Memoriam


Nesta ocasião dedicamos este pequeno espaço na rede para homenagear a memória de Aléxandros Grigorópulos (Αλέξανδρος Γρηγορόπουλος), o jovem grego assassinado pola polícia o passado 6 de Dezembro em Atenas.

Desde aqui queremos dedicar esta canção de Míkis Theodorákis a Aléxandros e à sua família, assim como a todas aquelas pessoas que nestes dias saíram à rua para protestarem contra este vil assassinato. Também queremos estender a homenagem à memória todas aquelas pessoas que ao longo da história foram mortos pola polícia sob a única acusação de defenderem os ideais da liberdade e da justiça social.







SOTIRIS PETROULAS

Lambrakis convocou-te,
a liberdade chamou-te,
os gritos animando são testemunhas:
os seus olhos azuis brilhando de felicidade.

Leão e noite,
montanha e céu claro,
os gritos animando são testemunhas:
os seus olhos azuis brilhando de felicidade.

Sotiris Petroulias,
conduze o nosso povo,
conduze-nos adiante,
os gritos animando são testemunhas:
os seus olhos azuis brilhando de felicidade.


(Sobre a canção: Míkis Theodorákis (Μίκης Θεοδωράκης) compuxo esta canção em Julho de 1965 logo do assassinato por parte da polícia do jovem Sotiris Petroulas, membro das Juventudes Lambrákis. Este movemento juvenil fora fundado polo próprio Theodorákis em 1963 após a morte do seu amigo e líder político Gregóris Lambrákis (Γρηγόρης Λαμπράκης) quem fora abatido por membros da extrema direita com a cumplicidade da polícia. Sobre estes feitos Theodorákis escrevera: « C’est une loi que le sang des victimes noie leurs assassins. La maffia, derrière ce syndicat du crime, qui boit le sang de notre peuple, a commis une funeste erreur. En désignant Lambrakis comme victime elle a elle-même choisi son juge et son vengeur. Un seul Lambrakis est plus que suffisant pour les envoyer tous dans la tombe. En perdant Lambrakis, des milliers de Lambrakidès ont été gagnés, des milliers de soleils qui le réchaufferont et éclaireront sa mémoire. »)

7 de dezembro de 2008

#11 - The Watts Prophets - What Is A Man








FREEDOM FLAME

I looked at the moon so full and so bright
and then at the fireplace with its flickering light
and realized why this world will never be right,
then I...
THREW ANOTHER LOG IN THE FIRE

Inside these four walls I am a King.
But beyond that door, it doesn't mean a thing.
I pay all my dues. Still, I have only a partial membership
in world happenings. And my blood runs freely in Viet Nam
So I...
THREW ANOTHER LOG IN THE FIRE

Why do you insist on keeping us caged?
You know all that does is intensify rage.
The word now is «SEIZE THE TIME» and
«ALL POWER TO THE PEOPLE»
Then I...
THREW ANOTHER LOG IN THE FIRE

Putting us in a cage was a mistake.
All that did was intensify hate.
And now shackled to our cages you expect us to wait
while you fool around on the Moon?
And from there look for another place to conquer.
While I...
THREW ANOTHER LOG IN THE FIRE

America you argue is just doing fine.
These racial things..however..do take time.
Well I'm tired of waiting and not getting mine,
Except..however..In Viet Nam.
Where every dead black man is a credit to his race.
As long as he remembers his place.
So I...
THREW ANOTHER LOG IN THE FIRE

Quick to put pencil to paper can't wait.
Must write, must explain, before it's too late.
The flames are at their peak can't wait.
Too many broken promises... Too many black babys asking why,
Too many restless armies in the Ghetto.
So I'll just...
THREW ANOTHER LOG IN THE FIRE

-----Richard A. Dedeux-----

7 de novembro de 2008

#8 - /Black Flag///








Police Story

This fucking city
Is run by pigs
They take the rights away
From all the kids

Understand
We're fighting a war we can't win
They hate us-we hate them
We can't win-no way


Walk down the street
I flip them off
They hit me across the head
With a billy club

Understand...

Nothing I do, nothing I say
I tell them to go get fucked
They put me away

Understand...

I go to court,
For my crime,
Stand in line pay bail,
I may serve time

Understand...

Black Flag (do álbume Damaged, 1981)

3 de outubro de 2008

#5 - Superlópez


Pois não. Desta vez não se trata duma banda desenhada underground, nem tampouco da típica história sesuda e intelectual orientada a um público «adulto». Desta vez trata-se dum simples tebeo, sem outras pretensões que as de tentar entreter e divertir. Ainda que isso sim, um entretemento que procure ao mesmo tempo reflectir sobre a sociedade ou a cultura.

Desde logo não é que Superlópez, seja a «obra definitiva» da BD ou algo polo estilo. Certamente podem-se-lhe criticar muitas cousas (por exemplo esse moralismo tão acusado nalguns momentos como com o tema das drogas). Mas, ao mesmo tempo, estas histórias também têm uma série de virtudes que fazem que mereça a pena botar-lhes uma olhada. A começar polo seu humor tão próprio dos países do Sul de Europa. Um humor desintelectualizado, mas sinceiro e gráfico, de tortazos e com um toque de absurdo. Um humor de «bocadillo de chouriço».

Superlópez, a obra mais emblemática de Juan López, Jan, é ante todo uma paródia de Superman (e em geral das histórias de super-heróis). Superlópez, cujo equivalente na Galiza bem poderia ser um Supervasques ou um Superrodrigues (vaia, mais uma razão para sentir-me identificado), representa a imagem típica do espanhol comum, baixinho, moreno e com bigode. Todo um «Supermedianias», que constitui uma versão cutre do Homem de aço: o seu planeta e nomes originais, Chitón e Jo-Con-Él; a sua moça Luisa Lana (Lois Lane) namoradíssima do seu alter ego Juan López e que não suporta a Superlópez; os chichones que se pega; etc.

Mas como diziamos anteriormente também há lugar para a reflexão. Assim, em muitas das suas histórias podemo-nos encontrar a Superlópez viajando no tempo e conhecendo a V. van Gogh; um robot que cita aos clássicos da filosofia; críticas ao estrago produzido polo ser humano no meio ambiente; uma defesa do direito ao trabalho; etc.

Entre as mais de 50 histórias que até o de agora têm saído de Superlópez, a maioria da gente adoita coincidir em sinalar duas como as indiscutivelmente melhores. Por suposto, não lim todas as suas histórias mas sim poderia dizer que estas duas são realmente magníficas.

A primeira delas é Los Cabecicubos (1982) na qual se trata o tema da Transición espanhola com uma grande imaginação e humor (aviso: que ninguém aguarde uma leitura esquerdista sobre o período). A contaminação derivada duma fábrica de ovos quadrados produz uma estranha epidemia que converte à população em cabecicubos. A partir de aí desenvolvem-se toda uma série de situações absurdas (tão absurdas coma o próprio franquismo), nas que o nosso (super-)herói se terá de enfrentar a um regímen fascista de partido único.

A outra das histórias e que também é a minha favorita é La Caja de Pandora (1983). Desta vez, Superlópez terá de enfrentarse a toda uma plêiade de deuses e seres mitológicos das culturas grega, mexica, hindu e egípcia, por fazer-se com o poder da Caixa de Pandora. Mas o quê contém essa caixa, preguntaredes. Pois isso é algo que não vou revelar. Contentade-vos com saber que os deuses se dividem entre os que acreditam que alô se agocham todos os males para a humanidade e os que pensam que o seu contido é positivo. Se isto o mesturamos com um pouco de ufologia e naves espaciais já temos todos os ingredientes para uma história mais que notável.

30 de setembro de 2008

#4 - Sobre os vivos e os mortos









Living in the Kingdom of Death


Living in the Kingdom of Death...Dead to the Kingdom of Life
Waking in the Kingdom of Dreams...Dreaming the Kingdom of the Awake

My Love, these living rags I wear
My Beloved, the daughter of the Sea and the Air
The reflecting Sea beneath the invisible Air
The conjunction of everything with everywhere

Living in the Kingdom of Death...

Lucifer, the child-bride of the Christ...Lord Christ, illuminate the Reaper's womb
For Lucifer the child-bride of the Christ

Living in the Kingdom of Death...

See the Devil in the Christ if it's the true Christ that you seek
It abides in you and it abides in me
We abide in us and them we three
See the Devil in the Christ if it's the true Christ that you seek

Living in the Kingdom of Death...

In a meadow deep, in a meadow green
Upon a throne of song beneath the willow shade
Bloodlight beats in the germ of the embryo
It will never explain or describe what it will never know

Living in the Kingdom of Death...

A mirror as broad as your life is long...Your reflection, as echo of an ancient song......Living in the Kingdom of Death...

Daniel (A.I.U.) Higgs (do álbume Ancestral Songs, 2006)

15 de setembro de 2008

#2 - Mu, o continente perdido



Mu e a Atlântida (ou Atlântis), são os exemplos mais conhecidos de civilizações/continentes/ilhas de carácter lendário, mítico ou, quem sabe, talvez real que teriam sido desaparecidas num passado muito remoto como consequência dum acontecimento catastrófico que as teria submergido sob as águas dos oceanos. Se reparamos nas tradições de muitas das civilizações mais antigas, aginha nos havemos decatar do habitual que resultam estas histórias de cataclismos, dilúvios e cidades desaparecidas que servem em muitos casos como mito de fundação ou como lição do que os deuses podem fazer no caso de existir uma relaxação na moral e os costumes.

Precisamente o mistério que envolve a todas estas histórias fixo que estas pervivissem fortemente no imaginário popular colectivo e que alimentassem a imaginação de sucessivas gerações em novas histórias que recolhiam elementos das antigas. São incontáveis os relatos novelescos, filmes, videojogos, etc. que fazem referência á Atlântida ou a algum outro dos mitos dos que falamos. Mas também o mundo da ciência se interessou por estas histórias. Foram muitos os especialistas que quixeram ver detrás destas lendas uma existência histórica real ou, quando menos, interpreta-nas como o reflexo duns feitos reais transfigurados, dirigindo as suas perguntas em torno à sua existência, as suas características, localização e causas da desaparição destes lugares. Desta maneira, as interpretações existentes são muito variadas, indo desde as teses mais sérias dum ponto de vista científico (maremoto, fim da era glacial, identificação com Tartessos, etc.) até aquelas com uma intervenção sobrenatural ou extraterrestre (alguns falam duma civilização altamente avançada tecnologicamente em contacto com extraterrestres).

Certamente resulta difícil não sentir-se atraído por temas coma estes, tanto na vertente digamos «literária» como na científica, e é a razão de dedicarmos estas linhas a uma introdução ao tema recomendando a leitura de Mû de Hugo Pratt. Esta obra, especialmente recomendável para os amantes das histórias de aventuras e/ou da banda desenhada, supõe a última das histórias nas que o autor italiano utiliza como protagonista ao Corto Maltese quem, em companhia doutros dos seus amigos, viaja até as águas do Caribe na procura do mito. Destaca o grande labor de documentação desenvolvido por Pratt que alude ao longo da obra ao Timeo de Platão, às lendas mesoamericanas sobre a cidade de Atzlán (que algúns identificaram com a Atlântida) ou a muitas das teorias sobre estas civilizações perdidas. Também é destacável como a modo de introdução se incluem uma série de textos de vários autores (além do próprio Pratt, de Augusto Bruno, Pietro "Pit" Piccinelli, Eddy Devolder e Gianluigi Gasparini) nos quais se tratam diversos temas: as teorias de Churchward sobre Mu, os contactos transoceânicos antes de Cristóvão Colombo (romanos, celtas, irlandeses, vikingos, Niccolo Zeno, Templários, o Fusang dos chineses), ou os códices americanos troaniano e borgia (dos quais se reproduzem algumas tabelas).

Por suposto, além do pouso histórico e «atlantista», esta BD oferece uma história de grande força, na que sonho e realidade são confundidos em muitas ocasiões («...e recorda que a saída está nos sonhos!»), e que sem dúvida entusiasmará àquelas pessoas amantes dos mistérios, as lendas e as civilizações antigas. Tudo isto com a sinatura do considerado pola crítica como um dos grandes da BD.