
...O hipocampo. O violín morto no mar. A singladura entrevista na néboa da lenda alumiada pola luz pantasmal dun faro ignoto. Urbano arrendara un traxe de buzo na Dársena e dispúxose a pintar no fondo do mar. Foi o único pintor submarino da cultura occidental.
Antón Avilés de Taramancos. («Arte Submariña». Catálogo Exposição Antológica da Crunha. Agosto, 1989.)

Ulises Fingal
Lugrís amaba a Xulio Verne. Amaba a viaxe, a descoberta, as múltiples incidencias que ha de sofrir o valeroso aventureiro antes do regreso á eterna Itaca. Lugrís era devoto da Odisea, porque a Odisea é a máis perfecta e absoluta das estorias de aventuras. O seu mundo era o dunha perpetua saudade do mar, das rotas, das esquivas peripecias. Pero nas profundidades de Lugrís bogaba tamén o barco de San Barandán, soñado polos monxes irlandeses no seu exilio misioneiro de Renania. O abismo celtista latexaba alí, no centro da súa persoa, e por veces facíase evidente nas imaxes de San Gonzalo a predicar sobre un penedo de Foz no que estaba insculpido o trisquele. Lugrís, fillo de Lugrís Freire, o grande amigo de Eduardo Pondal, non era Urbano Lugrís somentes, era sobre todo, Ulises Fingal: Ulises, o navegador do mundo e do trasmundo, o grago de cando os gregos aínda non sucumbiran ao «logos» do puro razonar, se é que algunha vez Platón sucumbira; Fingal, o heroe gaélico que lle ordenaba coa súa rixidez cerúlea o camiño do outro mundo, os vieiros escusados dos Tuatha Dé Danan, as xentes irlandesas de debaixo da terra, o misterio de Brigadoon que cada cen anos emerxe da néboa dun val de Escocia para vivir a normal vida dunha cidade.
Xosé Luís Méndez Ferrín.

Reclamo a liberdade para Urbano Lugrís!
Nestes dias nos que se fala tanto de património cultural fai-se mais necessário que nunca reinvindicar e defender o nosso acervo colectivo. É o nosso dever denunciar o farisaico discurso institucional e mediático da «defesa do património» - os publicistas a cantar as glórias dum Faro candidatado ante a UNESCO, mentres se silenciam iniciativas populares que unem às gentes de além e aquém Minho ou se desatende a maior parte desse património que se di defender (milenárias pedras como as de Dombate).
E porque sim, porque Urbano Lugrís nos pertence a todas e todos nós, devemos reclamar a sua posta em liberdade. Que os perversos banqueiros apartem as suas sujas poutas do pintor crunhês. Que se ponha fim à vil utilização da sua obra em acções propagandísticas (a banca e os seus programas de actuação cultural e social). Deve-se pôr fim a este sequestro por parte do capital, fim aos passeios rituais do réu em ridículas e vergonhosas exposições que atentam contra a dignidade do autor. A de Lugrís é uma obra que lhe pertence ao povo e, como tal, deve ser devolta ao seu legítimo propietário.
Mas há outro Lugrís. O Lugrís que se resiste a ser encadeado e sobrevive nos muros e paredes de bares, tascas e outros espaços públicos. Assim, em lugares coma a taberna O Fornos na rua da Estrela (hoje La Bottega), em A Mundiña ou no café Vecchio da rua Real ainda nos continua a falar Ulises Fingal de antigas lendas célticas ou de histórias de navios naufragados. Mas este Lugrís também está em perigo. Nesta ocasião a sentença é a pena de morte. Por suposto, esta é uma sentença aplicada silenciosa e paseninhamente, o seu verdugo: o inexorável passo do tempo e a passividade de todas essas instituições que se dim defensoras do património.
Portanto, insistamos mais uma vez: reclamemos a liberdade para Urbano Lugrís !

